O verbo aturar...




"Ouça lá, mas porque raio é que você atura isso!?" Confesso que a repetição deste verbo aturar por uma pessoa com quem lido quase diariamente tem acordado algumas questões em mim ao ponto de ser apanhada - por mim mesma - sozinha, a fazer essa pergunta a mim própria em relação a situações actuais e passadas.

Com a idade, olho para trás e gostava de ter tido a coragem que hoje teria, certamente, de me localizar em relação a certos comentários que nunca desafiei por pensar que esta ou aquela pessoa estariam numa posição superior, ou simplesmente, por me ter sentido tão atrapalhada e bloqueada que só me consegui lembrar das palavras certas em casa, quando já era tarde demais.

É preciso aprender a resolver as coisas de igual para igual, entre adultos, sem nos fazermos valer das desculpas de sermos ou mais velhos, ou pais, ou avós, ou o chefe, ou o Presidente da República para conseguirmos ganhar os nossos argumentos, deslocando o outro para uma posição submissa, indefesa, onde ele regride parecendo uma criança confusa que nem vocabulário tem para expressar o que está a sentir.

No fundo, isso são só papéis que desempenhamos. Como diz o ditado: "se quiseres conhecer verdadeiramente alguém, dá-lhe poder, e fica atento à forma como essa pessoa trata os outros." Antes do poder, está a educação, o respeito, o olhar nos olhos do outro e, efectivamente, vê-lo como gente, e repito, de igual para igual e nem ele tem de me aturar e nem eu tenho de aturá-lo, por isso vamos lá resolver o que tem de ser resolvido como deve ser, para que nos possamos desbloquear um ao outro e varrer as pontas soltas entre nós.

Boa semana.

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© Chez Lili

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