O curso de mergulho do "eu"




Pensamentos

A rejeição dói. Dói muito, mas passa. 
Aceita. Aceita porque para algumas pessoas não importa; não importa o quanto amaste, as negociações que fizeste dentro de ti para encaixar o outro, não importa o que faças, se tens um bom coração, de tens valores e princípios, se lhes deste prioridade e te preocupaste, não importa se tiveste orgulho, não importa o quanto cuidaste, não importam os sorrisos e as gargalhadas que deram juntos, as discussões e as reconciliações, não importa se aceitaste o bom, o mau e o pior, não importa se ficaste sem respostas, no silêncio, no vácuo, no abandono, à chuva, ao frio... É assim, pronto. São mecanismos defensivos, quase como uma desativação da capacidade de expressar emoções que aconteceu algures, mas que, naquele estado psíquico, te faz sentir que tu, simplesmente, não importas. Mas deixa-me contar-te um segredo: "tu importas!" 

Se calhar, em vez de escrever tanto sobre o outro, devemos olhar mais para nós próprios. Devemos questionar o apego que foi internalizado nos primórdios do nosso "eu", que tipo de ferida é essa que está cristalizada dentro de nós e que insiste em convidar esse certos padrões para a nossa vida. 

Falamos de mecanismos internos dinâmicos do "eu" e do "outro". Há estilos de vinculação, de relacionamento, vividos na infância e que ficam cristalizados no inconsciente e passam a actuar de formar automática influenciando o que achamos merecer na vida; a qualidade desse vínculo vai influenciar a forma como nos relacionamos no contexto das relações românticas - e não só. 

Se certos padrões são repetidos na nossa vida, talvez seja o momento de fazermos uma revisão da nossa literatura, da nossa própria narrativa, procurando experiências desconfirmatórias que nos mostrem que merecemos ser amados, respeitados e capazes de suscitar essa disponibilidade e responsividade no outro. O amor é fácil, o amor acontece, é seguro e é o reviver dessa ferida que nos vai ajudar a ser felizes, a livrarmo-nos da culpa e a perdoar, para atrair vínculos diferentes, mais fortes, maduros e de respeito. 

Vinculações, Édipos... Uma viagem pelas nossas profundezas, quase como um curso de mergulho, para que nos relacionemos melhor connosco e com os outros. 

Talvez o outro possa também reviver a sua própria literatura, a seu tempo e se quiser, e aprender um pouco para que, cheios de canudos e de educação, possamos finalmente sair todos da escola primária das emoções.


Um abraço, boa noite.


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© Chez Lili

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