Afinal vamos todos andando...




Obrigada pela fotografia, vou publicá-la no blog.”

Fotografias bonitas, onde acho que estou bem iluminada, bem maquilhada, bem enquadrada. Fotografias que podiam ser uma bela ilustração para um molho de palavras soltas e tristes. As palavras aqui são sempre contentores de muita consciência e de sofrimento ao ponto de me perguntarem se está tudo bem. 

Estou. 

Apesar de ter um nome pop, o Chez Lili não é um pop blog de receitas de auto-ajuda. Pelo menos não tem sido. É um blog de viagens onde sou correspondente das inquietações emergentes em lugares que estão em pleno estado de sítio. Um jornalismo de guerra, do conflito da nosso psique. Escrever aqui, viajar até lá sem saber muito bem como é que vou voltar. Voltar às rotinas dos dias onde vamos com os nossos cansaços e humores, sonhos frustrados e noites mal dormidas magoando um bocadinho e sem querer aqueles que nos rodeiam através de um meio tom de voz que sobe de repente, uma desculpa que fica por pedir, emaranhada de orgulho e culpa, uma musicalidade sarcástica no próprio silêncio.
A maior parte das pessoas que eu conheço não está bem e nem está mal. A maior parte das pessoas que eu conheço “vai andando...” independentemente do nível sócio-económico, do género, do estado civil, da profissão, do poder da conta bancária. E a vida continua na esperança de que, de hora em hora, as coisas melhorem. 

............

Conversámos e eu voltei para o meu carro. Vou conduzindo e pensando:

Como eu adorava acordar naquela casa, naquele quarto de catálogo, jantar assim rodeada de pessoas, ficar sossegada no meu canto, nas minhas coisas, numa solidão desejada, mas sabotada e disfarçada, porque pelas outras divisões, há uma continuidade da minha existência, da existência de todos, um pequeno ruído que nos faz companhia.”

Enquanto conduzia concluí o quanto o meu “quem me dera” se transformou na inquietação de alguém. E vamos vivendo na fantasia de podermos trocar de vidas entre nós, de vez em quando ou, quem sabe, para sempre, sem sabermos que no fundo “lá vamos todos andando...”

Talvez por isso, as trocas de vida fossem dar quase todas quase ao mesmo.

Um abraço!


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