A contabilidade nas relações...



Quando penso na palavra sucesso, eu penso nela. E o que é o sucesso? É atingir um objectivo, por muito pequeno que ele seja. O sucesso encontra-se no cumprimento das missões de todos os dias, independentemente da sua natureza ou tamanho, o que nos vai dando um sentido de realização, de foco, de orientação e de movimento na vida. Quantas vezes vamos  complicando e arrastando o que escrevemos na agenda? Quantas vezes procrastinamos ou deixamos que nos distraiam da nossa principal avenida. Perdemo-nos em becos e ruelas só para confirmar o ditado:

  "quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos!"  

Com ela, eu aprendo a levar sempre comigo uma folha de Excel, uma folha de cálculo para a vida toda. Naquelas células, ela ensina-me a encaixar as variáveis, as decisões, as pessoas, as lágrimas e as gargalhadas, as facturas de cada experiência. Tudo para o confronto inevitável com a minha percentagem de crescimento, de auto-realização, de auto-estima, de self respect. 

Os números dela encontram aqui as minhas palavras. Tudo começa a fazer sentido. 
Já dizia o Einstein: 

"Insanidade é continuar a fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes!" 

Para muitos, desde que a insanidade lhes dê menos trabalho que o conceito de mudança, será então preferível viver na falência de todos as variáveis daquela folha de excel. Falidos de amor, de self-respect, de força, de decisão. 

Sabe-se que por dia nos ocorrem, em média, 60 mil pensamentos. Sabe-se também que 90 por cento desses pensamentos são exatamente iguais aos pensamentos do dia anterior. Não há mudança de vida que se encaixe em dez por cento da cuca de ninguém, muito menos se essa massa cinzenta não é a tua. Posto isto, que a tua percentagem de crescimento não dependa dos dez por cento de ninguém. 

- Um dia serás mãe de dois rapazes de de uma menina. Foi uma cigana que nos contou. Foi o que o repetido jogo da agulha feito pelas tias todas nos contou. Enquanto a cozinha aquecia com o vapor vindo das panelas de bacalhau a cozer, tu estendias a tua mão pequenina e perguntavas qual seria o tamanho do teu Natal um dia, quando fosses grande. A agulha nunca nos contou outra história. Era sempre a mesma. Era um Natal sempre do mesmo tamanho. 
Não te rias! 

Há algo de muito matemático nas relações. O amor é uma grandeza e diz a ciência que o conceito de grandeza refere-se a tudo aquilo que pode ser medido. Portanto, o amor só é grande se puder ser medido como tal. É isso. Se o amor parece confuso para ti, então pensa antes na palavra respeito. É aqui que o amor acaba, começa, ou nem nunca existiu sequer. 

É assim que o amor se mede. Não é com migalhas de atenção e de intimidade, de promessas e de pequeninos gestos que até o vizinho do quarto esquerdo faria por ti. 
Sim... lembras-te daquele vizinho que nem o nome dele sabes, mas que podes ir lá bater-lhe à porta quando te falta um pau de canela para a tua receita de leite creme? 

Nem precisas de lhe devolver o pau de canela porque um pau de  canela não lhe custa nada!

 Quando tu não custas nada a ninguém, não custas um pequeno medo,  não custas uma saudade, um frio na barriga, não custas o respeito, não vales uma mudança de mais de dez por cento daquela massa encefálica, não custas mais que um preço de bilhete de cinema, de um jantar naquele restaurante que foste a última a conhecer, quando a única coisa que podes custar é o facto de seres o arrependimento da vida de alguém... ou o facto de custares, um por um, todos os defeitos que tens em vez da mulher inteira que és.

Quando assim é, mete lá as variáveis na folha de excel e prevê o teu potencial de crescimento, prevê lá o teu lucro emocional acumulado.

Desculpa a minha brutalidade. 
Tu és feliz a encontrar, mas há quem só seja feliz a procurar. 
Amar é assim: 
encontrar alguém e não procurar por mais ninguém.

 Só aí terás o tamanho do Natal que disseram que ias ter um dia. 


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© Chez Lili

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