Conversas com ela... sobre ele.





Conversas com ela...

A ansiedade dissipou-se para dar lugar a um vazio. Foi a melhor sensação de vazio que senti. Finalmente havia espaço e leveza para deixá-lo entrar sem culpa, para deixá-lo ocupar todo o espaço, sem pressa nenhuma para se ir embora.  Ele merecia estar ali. Ele pertencia àquele lugar. Ele era tudo o que de mais verdadeiro podia sentir por alguém, era honesto, ocupava tanto espaço, era belo e folgado.

Eles queriam que eu o esquecesse, que eu o demonizasse e o culpasse. Trouxeram a ansiedade para me ajudar a tratar do problema. Demorei a perceber que o diagnóstico estava errado, que os outros nunca tinham estudado nada do que passámos juntos e não tinham licença sequer para passar prescrições. Convidei a ansiedade a sair e cuidei de ti sozinha, com o respeito que mereces.

Amor merece respeito. Não vou deixá-lo na sarjeta só porque ele não tem lugar no mundo dos homens. Só porque não pode ser levado ao cinema, a jantar fora, a festas de amigos. Só porque é quase orfão de pai e custa muito criá-lo só. 

O amor é leve, sabes!? É simples. Quase que se resolve sozinho.

Lembras-te da ambição do Gatsby só para impressionar a Daisy. Esquece isso! 
Lembras-te do filme The Notebook quando o Noah passa uma vida a construir a casa de sonhos da Allie?
 Esquece isso, também! 

O amor não quer impressionar ninguém. Ele é a revelação da imperfeição, a aceitação dela. É simples, desastrado, atrapalhado. É tudo menos resolvido e perfeito. Se o sentires deixa que ele ocupe esse vazio todo. Vai doer. Amar só é ter uma ferida aberta. Mas não procures o curativo na ansiedade e no ódio. Sente-o e não lutes muito por ele. Como te disse, ele resolve-se sozinho. 

Um dia vais contá-lo com um sorriso a alguém. 




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