Achas que o paraquedas vai abrir?





- Sabes com quem tenho conversado muito? 
- Com quem?
- Com a minha sogra! Quer dizer, com a mãe do Filipe. Já não é bem minha sogra. Ela está a ajudar-me imenso. Farta-se de repetir e de me lembrar que o filho é um burro!


Por muito colo e mimo que a mãe do Filipe lhe dê, ela já se fartou de limpar o pó aos troféus de caça do filho. Para mim, perder esta sogra seria bem mais difícil que perder o Filipe.

Hoje apeteceu-me passar por aqui para vos deixar este pensamento, este bocadinho de uma longa conversa sobre uma história de amor que acabou sem aviso de rescisão. 


"Eu bati bem lá no fundo. Passo a noite a fingir que durmo. Farto-me de acordar e nunca mais é hora de levantar. Quando finalmente o despertador toca apetece-me voltar a fingir que consigo dormir. Mas lá me levanto, lá me maquilho, lá tento substituir o pijama por outro trapo qualquer... Uma espécie de farda.

 Lá vou eu para o mundo fardada com a minha melhor cara para que ninguém perceba que eu bati bem lá no fundo, num fundo sem almofadas para amortecer a queda. Ou, se calhar, ainda não bati. Fui empurrada, dei um salto em queda livre e no desespero só quero aprender rapidamente a sobreviver caso o paraquedas não abra. 

Achas que o paraquedas vai abrir?

Sinto que fui sequestrada e, no meio do meu bem-estar fingido, olho à minha volta e procuro por alguém que entenda o meu olhar de emergência. Alguém que me resgate sem que eu precise de lhe contar tudo, sem que haja um preço muito alto pagar por esse resgate. O preço da minha fragilidade. 

Eu não quero que me vejam de pijama. Não é um pijama bonito, acetinado, sexy com um bordado em renda. Daqueles que desfilamos pela casa ao domingo de manhã. Daqueles que eu usava para ele me tirar uma fotografia para o blog ou para o Instagram com o hashtag #preguiçadedomingo. 

São bonitos esses pijamas... Mas não me imagines assim, não fantasies o meu sofrimento assim. 

O meu sofrimento não tem glamour. O meu pijama é feio, o meu quarto é frio, não desfilo pela casa de café e de livro na mão. Aliás... já te disse que dispenso a cafeína pois dispenso acordar.... perco-me nos dias da semana, nas datas, nos meses, nos anos. 

Dizem que o tempo ajuda. 
Foi a mãe do Filipe que me disse que o tempo ajuda. 

Vou ter saudades da tua mãe..."









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© Chez Lili

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