Pensamentos sobre a Sílvia, a novela, a saudade, o Verão, o mar...


Por breves momentos pensei que não ia chegar a tempo de te ver pela última vez este ano. Quando lhes contei que ia voltar a Portugal por uns tempos, disseram-me:

"Wonderful, but bad timing! September...  Summer is over!"
"Óptimo! Mas é pena o Verão estar a terminar." 


Respondi-lhes:


"Pois..."


Tive preguiça de lhes explicar os devaneios do nosso tempo. Entre o Verão e o Inverno existe o tímido Outono e depois lá vem o Verão outra vez, o antecipado Verão de São Martinho em pleno Novembro.


Tive preguiça de lhes explicar que tu esperarias por mim até Novembro. 

 Não falo só do Verão. Falo do ar fino, da brisa, dos finais de tarde, de um ruído afastado, um cão que ladra bem longe, dos jantares tardios, das conversas na varanda, dos segredos contados na varanda.


Falo da paz de uma vista desafogada. 

Do mar.

Da relação de um português com o mar.

Será possível este divórcio?


Não podemos simplesmente abandonar esta relação antiga, não podemos fugir, romper com ela e achar que não haverá um preço a pagar por isso. 


Afinal... Somos os heróis do mar ou não somos?


Navegadores, exploradores, pescadores, descobridores. 

Estou aqui. Vou ficar por aqui algum tempo e esta é a frase que mais sentido faz para mim neste momento:

A man travels the world over in search of what he needs and returns home to find it.






Corremos o mundo na procura de algo que resolva as nossas necessidades para, finalmente, encontrarmos esse algo no regresso a casa.

Conhecem a história do indivíduo que não se decide entre um só amor ou todas as paixões do mundo? É mais ou menos isso. Uma espécie de certeza de que vá onde for, vou voltar sempre aqui. 



Partilhei no meu facebook e no meu Instagram o motivo do meu regresso. Vou ser a Sílvia Cunha na vossa próxima novela da TVI: Condição Humana.

Gratidão é a palavra de todos os dias. Estou muito grata por este projecto. 

Quando me dizem:

- Estou muito contente por ti e vou estar atenta apesar de não ver novelas! 



Neste momento gostava de lhes mostrar o que ando a ler, os guiões, os diálogos, as reflexões sobre a nossa condição humana, as personagens bem desenhadas independentemente da sua maior ou menor incidência. Enquanto estudo a Sílvia com mais cuidado, distraio-me a ler e a ler de novo outras cenas de outras personagens, porque, de facto, há conversas muito interessantes sobre o amor e o desamor, sobre relações improváveis, sobre a arte, a fé e a justiça, sobre a família, sobre a vida e a morte. Parece vago eu sei, todas as novelas abordam estes temas, mas de facto, a Sarah Lemonnier, o Nuno Duarte, a Maria João Vieira, o Renato Rocha, a Joana Pereira da Silva e o Artur Ribeiro escrevem sobre estes de uma forma notavelmente diferente.



Quanto à minha personagem...

 A Sílvia trabalha no hotel como chefe de recepção. Ela é simpática, profissional, apaixonada, desenrascada e esperta, contudo, a sua vida sentimental é um caos. Um caos que não a intimida, mas que lhe dá força, ironia e graça nas suas reflexões, na sua interação com os outros, com o sexo oposto sobretudo. 

A Sílvia trouxe-me de volta a Portugal. Estou feliz por poder voltar a representar em português, por voltar a contar histórias em português. Lembram-se de ter escrito aqui, neste blog, sobre a saudade que tinha da minha terra? Podem ler o post aqui. Saudosismo é sem dúvida uma palavra que me define. Aqui entre nós, é uma doença grave que tenho. 

A Sílvia veio curar esta saudade. 

Obrigada por passarem por aqui.


Até breve.   




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