A tralha....


Consegui esvaziar o meu closet, mas não tanto assim como na fotografia. 


Tenho feito poucas compras. 

Mudei recentemente de casa o que me ajudou a reconhecer que tinha tralha a mais. A missão era esvaziar a casa antiga e simplificar a nova, torna-la mais leve, arrumar a vida, quem sabe facilitar as próximas mudanças, poupar e praticar o desapego a coisas que fui acumulando.

Coisas essas que só me lembravam do quanto estava apegada a elas quando as encontrava escondidas numa caixa, numa gaveta, no sótão, porque até lá, tais apegos e memórias pouco importavam.

Coisas que depois de anos sem serem usadas pareciam novas outra vez fazendo-me acreditar que mereciam uma segunda oportunidade.

Coisas que eram plenos erros de investimento e, por isso, fui guardando com culpa do dinheiro desperdiçado.  

Coisas que nem eram minhas, mas de alguém que as esqueceu lá em casa e que há anos que prometia vir buscá-las. 

E aquelas coisas que alguém me deu, alguém que um dia, tal como eu, agora, tentou esvaziar a vida, livrando-se, por exemplo, daquela saia de ganga, uma saia de ganga da família de todas as saias de ganga que eu não compro e nem visto desde a quarta classe... mas que veio morar para o meu guarda vestidos!

O pior de tudo, são aquelas botas lindas e de boa qualidade, tamanho 40, que comprei a 70% de desconto, fosse eu tamanho 40 e fosse verdade o que dizem por aí "oh menina, isso dói no ínicio, mas depois alarga!". Emagrecia mais rapidamente os pés que as ancas só para poder calçar o raio das botas. 

Foi assim o meu mês Fevereiro! O mês do vazio. Caixas e caixas dadas a caridade. Numa delas ia um casaco preto que tinha há dez anos, muito velho e roto, grande e pesado, mas que me fazia lembrar uma noite académica na famosa discoteca Via Rápida no Porto. Guardava-o por isso... pela lembrança. Os tempos de universidade e aquele casaco andaram de mãos dadas até Fevereiro de 2017.  Tive que me que deixar de nostalgias e manda-lo às favas. Exactamente assim, friamente assim. 

Ontem íamos na rua e entrámos numa loja. Era uma loja de coisas para a casa, para o gato, para o cão, para o peixinho, para a criança, coisas de decoração, de aniversário, coisas e mais coisas, mas acima de tudo, coisas giras e baratas. De repente, o George vira-se e diz: "quando me apetece comprar algo, imagino estas coisas daqui a 5 anos, velhas e  enfiadas numa caixa de cartão que está arrumada num sotão e com uma etiqueta a dizer: "caridade" ou "give away" ou "lixo". Tinha uma escova na mão, uma escova pequenina, fofinha e gira que ia comprar, custava pouco, quase nada... e foi assim, depois deste comentário, que a deixei no meio de todas as mini escovas de cabelo que lá estavam e que não preciso.


Tenho feito poucas compras.







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© Chez Lili

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