Chez Lili

by Liliana Brandão

Um Breve Apontamento sobre Implosões e Explosões


Sabem quando estamos a conduzir, entramos num túnel e, de repente, o nosso GPS perde o sinal?

"GPS signal lost"

Perdemos o sinal, a direcção e percebemos que, na escuridão daquele túnel, o único satélite capaz de encontrar o receptor do nosso GPS está dentro de nós.

É bom voltarmo-nos para dentro, descer até a um andar profundo, ao qual nenhuma escada e elevador parecem chegar. Uma espécie de cave do "eu". Subimos e descemos entre o sótão do pensamento e uma cave de tralha que quase nunca arrumamos. Os convidados chegam e elogiam as velas perfumadas, a decoração e o cheiro a bolo de canela acabado de fazer, mas só nós conhecemos o desconcerto de todas as coisas que atiramos para aqueles lugares. 

 Sempre me educaram para nunca perder a diplomacia, a elegância, a educação, a postura, sempre me educaram para reconciliar em vez de desarmonizar e contrariar, é assim que quero um dia educar os meus filhos. No entanto, quando se evita uma explosão estamos muitas vezes a promover uma implosão. As implosões desintegram-nos levando, com o tempo, à demolição silenciosamente do "eu". Ao protegermos os outros dos efeitos colaterais das nossas explosões estamos, nós próprios, a sofrê-los um por um e a perder, lentamente, o nosso sinal de GPS, um sinal que se perde no meio de mais tralha que continuamos a acumular.


As fotos com o vestido de princesa parecem não combinar com o tom do texto ou, se calhar, até combinam. Como me disseram uma vez: tira a coroa de princesa e coloca a armadura antes que percas o teu terreno.

Abraço, Lili!


Fotografia: Pedro Mendonça
Vestido: Penhalta













Breves Insónias




Quero encher-me de mim, da minha liberdade, que as noites sejam só minhas, que eu consiga atravessar o ar todo sozinha, não quero partilhá-lo mais contigo. Sai das minhas músicas, da minha saudade! Não me apetece dar-te mais boleias. Sai dos meus pensamentos enquanto conduzo. Sai deles enquanto cozinho e tomo duche. Quero-os inteiros, só para mim. 

Há um ditado brasileiro que diz "cabeça vazia, oficina do diabo". Tu eras esse vazio todo, uma obra inteira do diabo. Mas amanhã serás uma amnésia. 

Bem sei que o teu amanhã será mais rápido que o meu. 
O teu amanhã foi ontem. Ia eu na minha inconsciência quando já tinhas dado lugar a outros cheiros e toques.

És um coração transplantado que o meu corpo começou a rejeitar. Não sei se aceito outro transplante...  Ensina-me um pouco do teu analfabetismo emocional e talvez eu consiga viver sem coração por uns tempos...


fotografia de Pedro Capelas @pedro.capelas.fotografia



Conselhos lembrados e fotografias tiradas pela lente de.... Rui Rodrigues



Conversava com umas amigas sobre trabalho e entre cochichos apaixonados e frustrados sobre a profissão de actriz, de apresentadora de televisão, de escritora, de bailarina, de modelo... lá fomos partilhando pequenos conselhos que nos deram um dia. 

Foram muitos, mas o que escolhi para partilhar hoje é este.

She said:

"Lili, you put so much effort into this, you prepare so much and you feel they don't recognize you. Your frustration is understandable, but.... When you're auditioning nobody wants to see your efforts and your preparation! They just want to feel that acting is the easiest thing for you do to, the audience don't want to see you suffering or struggling to achieve the truth, it has to look and sound simple and easy for both: the performer and the audience."

........

"Lili, tu esforças-te e preparas-te tanto que acabas por sentir que o teu teu trabalho não é devidamente reconhecido. A tua frustração é compreensível, mas quando estás a fazer uma audição ninguém quer ver o teu esforço ou a tua preparação! Eles só querem sentir que representar é fácil para ti. Eles não querem ver esforço ou sofrimento, mesmo que a cena seja dramática e tenhas de chorar.  É desconfortável ver alguém sofrer muito para atingir a verdade da cena, por isso, tem de parecer simples e fácil para ambos: para ti e para a tua audiência."

Foi mais ou menos isto que ela me disse, há cinco anos, enquanto eu me preparava para uma audição. Nunca mais esqueci. 

O esforço. 

O esforço tem de parecer leve e fácil. No final a simplicidade é a realização final. 
Em tudo. 

As fotografias são do Rui Rodrigues - @rrodruguesphoto - tiradas no workshop de fotografia do Pedro Capelas - @pedro.capelas.fotografia. 

Obrigada aos dois. 
Amanhã há mais fotos e conselhos.















O campo, a cidade e alguns dedos de conversa...



À medida que desço a Avenida da Liberdade em Barcelos reparo naquele casal com duas crianças de pele branca e cabelo muito louro a sorrir e a dizerem "hello!" a todos os que passam, reparo também num outro casal de americanos de mochila às costas e em duas amigas brasileiras que se fotografam em frente à estátua do Bombeiro, reparo no grupo de estudantes do Politécnico, de capas pretas e a ocupar a esplanada inteira do café Nata. Está calor. E nisto, lembro-me de alguns dedos de conversa que fui tendo nos últimos dias.
.......

"Eu adoro Barcelos, Lili! Não trocaria a minha cidade por nada. Adoro a minha casa, o meu marido, a minha família. Adoro poder andar para o trabalho e estar perto do Porto, de Braga, da Póvoa, de Ponte de Lima, de Guimarães, de Viana. Estamos a 45 minutos do aeroporto e a duas ou três horas de todas as capitais europeias. Eu e o meu marido recusámos oportunidades profissionais incríveis porque há um preço muito alto a pagar quando decidimos "to follow the money". Nós somos felizes aqui. As cidades pequenas, as aldeias até, estão cada vez mais jovens, mais interessantes, mais activas."

"Sabes Lili, estive três meses a fazer uma formação em Lisboa e não me adaptei à capital. Viver em Lisboa? Nem pensar! Também não sabia muito bem como iria resolver a minha vida profissional vivendo no Porto, sei que perdi e continuo a perder muitas oportunidades por estar tão longe do mundo da televisão e dos castings, mas não me arrependo! Estou tranquila. Casei, tenho a minha família perto, adoro a minha casa e acabei por conseguir trabalhar na área da moda e da apresentação a partir do Porto."

"Parece-me que, apesar de viver numa cidade pequena, relativamente longe dos centros urbanos, já viajei mais que muitos amigos que vivem em Londres, Paris ou Barcelona e que acabam por gastar os salários no estilo de vida associado a essas capitais. Como estão longe da família, o único destino de férias acaba por ser sempre o mesmo - Portugal." 

"Curiosamente, sentia-me mais capaz a vários níveis - intelectual, emocional e financeiramente - quando vivia numa cidade mais pequena, ou no campo até. Sentia que tinha mais tempo, que os dias eram mais longos e, consequentemente, descansava mais e aprendia mais também. Lembro-me de estudar, de trabalhar, de ir à piscina, de cultivar as minhas amizades e as minhas relações familiares, de ter aulas de piano, de ler, de escrever, de conseguir dormir oito horas, de me sentir descansada e de sentir a lentidão dos dias. Em Lisboa, todos os dias é sexta-feira, passas a vida no trânsito, no metro, os teus amigos vivem a pelo menos 40 minutos de distância, sentas-te para ler um livro e adormeces, começas a ver uma série e adormeces, as rendas são caras, andas stressada... Aqui, nunca mais é sexta-feira! Gasto cinco euros para fazer as unhas e quinze euros para pintar, cortar e esticar o meu cabelo, a minha casa é linda, leio muito, tenho tempo, é tudo mais barato, há silêncio, sabes? E os fins-de-semana são mais produtivos porque fazemos sempre pequenas viagens e acabamos por visitar cidades e por vivê-las mais intensamente do que aqueles que nelas vivem - ou sobrevivem!"

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Há quem diga que se nós trabalharmos a nossa felicidade pessoal será mais fácil prosperarmos nas outras áreas da nossa vida - no trabalho, na família, no amor. 

Aceito que é importante sairmos da nossa zona de conforto para experimentarmos outros desafios e, com isso, podermos crescer. Porém, questiono-me quais são os limites desse desafio. Até quando devemos aceitar o desconforto em prol do nosso crescimento pessoal? Questiono-me se a dado momento não estaremos só a acumular cansaço e frustrações, orgulho e feridas mal curadas. Questiono-me quantas vezes resistimos à mudança e nos habituamos ao sofrimento, quantas vezes achamos que, dessa forma, estamos a crescer mais do que os outros, esperando assim uma recompensa maior também. Se calhar, já estamos confortáveis naquilo que era o nosso desconforto inicial. 



Lembro-me de ter sido operada a uma variz na perna esquerda. Andei anos a adiar aquele problema. Achava que era muito nova para ser operada às varizes e habituei-me à dor. Eventualmente decidi resolver o assunto e, quando recuperei da operação, percebi o quanto me tinha habituado à sensação de cansaço, de peso e de inchaço naquela perna, pensei no quanto me tinha habituado àquele sofrimento. 

Sabem, também me questiono muitas vezes sobre o número de vezes que precisei de cair, de esfolar os joelhos, o queixo e a testa até aprender a andar. Não me parece que tenham sido assim tantas. O mesmo se passa com os desafios que aceitamos porque achamos que vamos crescer, que vamos construir um currículo melhor, que vamos ganhar mais, que vamos voltar ao nosso país mais fortes, equipados e competitivos e viciamo-nos nisto, num voltar que nunca mais volta! É importante saber parar e recomeçar sem tanto esforço, sem tanto desconforto, com menos desafio. 

Quando cheguei ao Porto, recentemente, pedi ajuda para tirar um bilhete de acesso à linha de Braga. A rapariga que me ajudou perguntou-me de um jeito muito despachado:

- Mas tem o cartão? Se não tem, precisa de comprar um cartão primeiro para poder carregá-lo com os títulos de viagem.
- Não, não tenho. Quando custa o cartão?
- Esqueça, eu dou-lhe o cartão! Eu tenho aqui um.
- Mas eu pago-lhe o cartão.
- Eu ofereço. Eu estou cheia de cartões! Esqueço-me sempre do meu e passo a vida a comprar cartões novos. 


Três dias mais tarde, em Barcelos, na estação de comboios, notei que o multibanco estava fora de serviço. Achei que não ia ter tempo de levantar dinheiro e de chegar a tempo para apanhar o comboio com destino ao Porto. Uma jovem que estava na fila abordou-me e disse:

- Eu pago-lhe o bilhete e quando chegarmos ao Porto você devolve-me o dinheiro. Se você for levantar dinheiro agora vai correr o risco de perder o comboio.

Não é maravilhoso quando um estranho nos aproxima assim? 

Confesso que os desafios começam a cansar-me, os conflitos, a falta de compromisso, a alienação, os problemas e a confusão a mais. Não me importaria de parar de crescer por uns tempos, de parar de me sentir desafiada, de parar de aprender... De parar... de voltar ao nada que achava que era mesmo nada e que afinal... era tudo. 











Engravidar em função do signo preferido para o bebé?



Já imaginaram a influência que os astros podem ter na vossa vida amorosa, familiar e profissional? Eu nunca pensei muito nisto até que uma amiga me confessou que um dos factores que considerou quando pensou em engravidar foi o signo do bebé. Aqui entre nós, também já ouvi e li histórias sobre a influência do signo de um candidato nos processos de recrutamento e selecção.

A verdade é que não escolhemos com quem sentimos mais ou menos afinidade.

Em relação à maternidade, se eu puder facilitar a relação mãe-bebé e se esse grau de afinidade e de paz estiver escrito nos astros, porque não? 

Posto isto, eu já fiz a minha pesquisa e, sabendo que sou uma Taurina, terei de engravidar entre Dezembro e Fevereiro para garantir a chegada de um bebé Virgem, de um Balancinha ou de um Escorpião. Bebés do signo Capricórnio, Caranguejo e Peixes são bem vindos, mas como são meses mais complicados e com Gémeos, Aquários e Carneiros pelo meio, signos ligeiramente menos compatíveis com Touro, então é melhor não arriscar muito. 

Fica então uma recomendação para as taurinas como eu: entre Dezembro e Fevereiro reconciliem-se com o vosso mais que tudo, reconciliem todas as divergências familiares  decorrentes de encontros natalícios e expandam a família! Bem imagino o desconforto de andar cinquenta meses grávida, debaixo de 47 graus em pleno mês de Agosto e com o peso de um mamute numa perna e de um elefante africano na outra, mas, pelo menos, durante um Verão na vida, ficam dispensadas da missão biquini que é, mais ou menos, como quem consegue escapar à tropa. 

Apesar da ironia, é impossível não ficar com a pulga atrás da orelha em relação ao tema. Obviamente, faço amigos independentemente dos signos e, apesar da aparente incompatibilidade, três das pessoas mais importantes da minha vida - pai, irmã e afilhada - são três Gémeos e não os trocaria por três Caranguejos, mesmo que isso me facilitasse a vida. Dizem que os Gémeos têm o dom da comunicação. Lembrei-me que há dois dias a minha afilhada chateou-se e disse-me:

- Deixa-me falar! Eu preciso de falar! Eu preciso de falar! As crianças precisam de falar tal como os adultos! Deixa-me explicar... 

De repente, lembrei-me que sempre foi assim. O desenvolvimento da linguagem foi marcado por episódios graves de gaguês. Engasgava-se e sufocava-se com tanta vontade de falar e de comunicar, de dizer o que pensa. 

Além dos Gémeos, Tenho um fetiche por Aquários pois adorava ser tão desprendida, livre e descomplicada como eles e em relação aos fogosos Sagitários, tenho uma vida para aprender com todos os eles pois, pelo que consta, são o meu ascendente. É isso. Tenho uma amiga que me incentiva a procurar certas direções nos astros e foi ela que me disse que o meu Sol é Touro, o meu ascendente é Sagitário e a minha Lua (intimidade, emoções) é Peixes. Confuso, eu sei. Falando de compatibilidades, dizem que os Touros e os Escorpiões são signos opostos, que se anulam na presença um do outro, que são inseparáveis e, curiosamente, quando todos se queixam da intensidade e da impulsividade dos Escorpiões eu, simplesmente, não sinto nada e comunico na paz do senhor com todos eles.  

A minha amiga, que me confessou que decidiu engravidar em função do signo preferido para o bebé, é uma balancinha linda, uma balança bem calibrada e decidida pela perfeição, pela harmonia em casa, pela paz, nem que tenha de procurar essa resposta fora da sua lógica natural, da sua racionalidade. Damo-nos bem porque, pela minha pesquisa, os Touros e os Balanças são os únicos signos regidos por Vénus, a deusa do amor e da beleza.  

Por acaso tenho conhecido algumas mães que dada a pergunta:

- Então quando é que vai nascer?

Me respondem:


-Vai ser Sagitário.

O que me faz pensar que, tal como a minha amiga, muitas mulheres, antes de engravidar, começam a fazer cálculos em função da posição das estrelas e dos planetas. 

Será?




Na falta de vontade, lá escrevi...




No comboio, com a aproximação do Porto, parece que tudo se simplifica e que me aproximo de mim, da pessoa que verdadeiramente sou e que, muitas vezes, se foi perdendo, se foi desviando de si para poder pertencer a alguém, a um lugar qualquer, a dado momento ou a todo o momento, até. Perdoo-me porque estes desvios fazem parte do crescimento e do amadurecimento, da libertação e do desapego. Muitas vezes, enganei-me a pensar que estava bem resolvida com as minhas escolhas e com a minha solidão, mas imediatamente tentei compensar o vazio com pessoas que, afinal, me deixaram ainda mais descompensada.

Um desejo impossível? Diminuir o número de quilómetros entre Barcelos e Lisboa, entre a família e o trabalho, entre o passado e o presente. Apesar de ter muitos amigos em Lisboa, sei que na capital estou muito entregue a minha mesma.

Eu gosto da minha própria companhia. Divertirmo-nos e sabemos estar bem em silêncio, a convivência é boa no eventual tédio e na trivialidade dos dias. Mas, por vezes, discutimos e cansamo-nos de nos ver e ouvir. Eu e ela. Canso-me de mim. Convido, então, uma amiga para sair ou entrego-me para a adoção de famílias amigas que me recebem nas suas casas pombalinas para jantar, empresto-me para ver um filme e para ir ao teatro com elas. Sabe bem ser convidada para uma dinâmica familiar. Dá-me ordem e um pilar emocional, para depois voltar a um T0 ou a um quarto alugado, à solidão das rotinas, ao frigorífico meio vazio, àquela pequena lista de supermecado para uma alma só. 

Quem me conhece sabe bem como gosto de alimentar os outros,  como gosto de cozinhar e de usar isso como desculpa para ter pessoas à minha volta. Há coisas que só fazem sentido se forem partilhadas e, cozinhar é uma delas. Por isso, raramente cozinho apenas para mim. Quando não me esqueço, lá vou desenrrascando o meu almoço e o meu jantar sem grande entusiasmo. Nem sempre foi assim, mas, por acaso, tem acontecido com frequência. 

Como actriz ou como alguém que finge escrever umas coisas num blog ou uns guiões aqui e ali, lá vou imaginando essas pessoas, essa casa, essa mesa, a gestão dos conflitos, as refeições e as compras para cinco no supermecado. Sejam amigos, seja família... Imagino e escrevo a minha história em família ou rodeada de amigos numa casa pombalina, onde Barcelos fica ali mais ou menos perto de Odivelas e, a qualquer momento, a minha mãe também pode aparecer para dar uma ajudinha, para uma conversa, para me ajudar com as crianças (se as tivesse).

Acho que a ficção me alivia os sonhos mais ou menos frustrados.

Sabem, não me apetecia nada escrever hoje. Quando vou à Fnac e à Bertrand não faltam livros de receitas para a felicidade, livros de desenvolvimento pessoal e de auto-ajuda com instruções para nos motivarmos todos os dias, para sermos seres plenos, completos, felizes, realizados e independentes.

Depois, em vez de compararmos a nossa vida com a do vizinho, comparamos antes o nosso feed de Instagram com o de um estranho qualquer. Isso. O importante é que a nossa vida seja Instagrammable, que a nossa casa tenha aquele Danish look, que compremos um livro e uma planta só porque ficam bem na foto, que o nosso namorado seja Instagrammable também (já agora!).
 Contra mim falo que passo a vida a bisbilhotar o Instagram de estranhos.

Bem... foi a minha falta de vontade para escrever que curiosamente me levou a escrever. Neste blog os dias nem sempre são espectaculares. Não queria passar ao lado desta escrita a preto e branco, mais sombria, que vos conta que, às vezes, um dia pode ser simplesmente igual ao anterior, com as mesmas dúvidas, com os mesmos bloqueios, sem roupa nova, sem instruções para a felicidade, sem maquilhagem, sem viagens, sem orçamento até, sem prémios e galas, sem nada, sem nada interessante para contar.

São vários os dias em que prefiro adormecer os meus guardas e deixar que outros tomem conta de mim, porque não me sinto nem forte, nem independente, nem realizada e, nem me apetecesse focar-me assim tanto em mim como é tão imperativo nos dias de hoje. São dias em que me apetece ir ali jantar à casa dos meus pais sem que, para isso, precise de viajar cinco ou seis horas, apetece-me entrar em casa e jantar ao som de mil e uma histórias contadas à mesa, melhores que a história daquele livro que tenho para ler sozinha no meu sofá, num T0 pombalino.





A Spry e as pazes feitas com os leggings!

  

Estava na loja Spry no Centro Comercial Amoreiras e as palavras conforto, sofisticação e versatilidade ecoavam na minha cabeça à medida que ia descobrindo a linha de desporto da marca. Confesso que não costumo escrever sobre marcas e produtos. Quem me acompanha sabe que tenho escrito mais sobre relações, sobre pessoas, sobre o amor e a vida. Contudo, e à medida que conversava com Rita e com a Inês, as progenitoras deste projecto, tudo o que sentia em cada palavra e em cada silêncio era um profundo amor pela sua criação, pela marca, por este bebé que ainda há pouco nasceu e que já anda com passos bem firmes e equilibrados. 

O ponto de partida da Spry surgiu da lacuna sentida no mercado face à existência de uma linha de desporto que se adaptasse a diferentes contextos. A título de exemplo, cheguei à loja de calças de ganga e de blazer, com um top rosa acetinado e, depois de ter sido convidada para vestir algumas das peças da marca, acabei por vir embora sem me dar ao trabalho de trocar de roupa novamente. Vesti o meu blazer e lá fui eu, elegante, cool e prática, jantar com uns amigos, vestida com roupa de desporto!

Eu sou um poço de birra e de complicação quando preciso de comprar leggings, talvez porque as minhas pernas estão longe de ser dois alfinetes. Enfiar-me nuns leggings é ganhar consciência da quantidade e da gravidade de tudo o que enfio na boca. Abuso da genética, mas mesmo assim, alguma coisa vai sempre parar às coxas, ao rabo e às ancas. Desfilar de leggings pelo mundo  é quase como gostar de andar todos os dias num tribunal, num processo aberto contra mim própria. Como não gosto de confrontos, prefiro enganar-me até ao dia em que abrir, oficialmente, a época balnear! Nesse dia, lá enfrentarei o problema da gravidade dos brigadeiros. 

Sinto falta de Londres, por isso. Tenho saudades de comer scones e o English breakfast sem pensar na época balnear ou em preparar o corpo para o Verão... porque, simplesmente, não existe nem época balnear, nem Verão em Londres! 

Posto isto, meus amigos, os leggings não são apenas para mim,  que vai ao ginásio suar um bocadinho para aliviar o stress dos dias e que apenas vê o exercício como um escape, um escape para o bem-estar interior. 

Mas sabem qual foi a minha maior surpresa? Foi sentir uma verdadeira paz interior logo que me enfiei nos leggingda Spry! Que fique claro que ninguém está a pagar-me para escrever isto. Foi o que senti. Ponto. A confiança era tanta que saí da loja assim, de leggings e de blazer, convencida de que a época balnear podia abrir do dia seguinte, porque eu estava pronta! 

Conhecer a Rita e a Inês e conversar sobre a conceptualização da marca, sobre a vivência no Brasil e sobre a inspiração nesse mesmo mercado, sobre a escolha das cores, do design da roupa que é inteiramente confeccionada em Portugal - não tivéssemos nós uma das melhores indústrias têxteis do mundo - sobre a tecnologia antibateriana dos tecidos, essencial no controlo do suor e do odor...  conversar sobre tudo isto foi essencial para a imediata aproximação à marca. Sabem, eu fico sempre com um ratinho de curiosidade sobre os processos das coisas. Não me contento em ver os resultados, a roupa nas cruzetas, as fotografias nos catálogos... sempre me interessei pelo caminho e pelo tempo percorrido até à meta final. Interessa-me e inspira-me descobrir que a Rita e a Inês, formadas em farmácia e em engenharia, acabaram por arriscar na criação de algo relativamente longe da sua área de formação. É interessante conhecer este risco e o empreendedorismo de pessoas assim. É inspirador. Falo por mim que sempre me apeteceu criar tanta coisa, e aliar a arte da ideia, de criar à parte do negócio em si que chega às pessoas.

Visitem a Loja Spry no Amoreiras, aproveitam não só a coleção, mas as aulas de Yoga, Pilates, Postura e Alongamentos que o espaço oferece e deixem-se contagiar pela simpatia da Rita e da Ana. 

Um  abraço e obrigada por passarem pelo Chez Lili!















© Chez Lili

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