Chez Lili

by Liliana Brandão

Fotos do Evento E! Red Carpet 2019

Partilho aqui algumas fotografias do evento E! Red Carpet 2019 que aconteceu na passada quarta-feira no Sud Lisboa. 

A par da representação, eu estudo Psicologia e o dia do evento E! Red Carpet 2019 coincidiu com o final da primeira época de exames. Estava feliz, aliviada, tinha inscrita no corpo aquela sensação de missão cumprida. Queria rever amigos, divertir-me, distrair-me e cuidar de mim. 

Naquele dia, às17h30, a professora Medina disse "Tem de entregar, Liliana." O pensamento ficou incompleto e a última palavra escrita naquela folha de exame foi "pesadelos", uma palavra que simbolizava um alívio. Tinha duas horas para disfarçar o cansaço, as olheiras, o cabelo emaranhado, para disfarçar que não dormia lá muito bem desde o Natal, altura em que tinha começado a estudar. Tinha duas horas para chegar ao evento E! Red Carpet 2019. Apesar de tudo, o disfarce foi fácil porque me sentia abastecida cá dentro e era isso que naturalmente o meu corpo falava. 

Para me acompanhar na passadeira vermelha levei comigo as jóias da designer Joana Mota Capitão .

Lembro-me de conhecer a Joana pouco antes da festa de Verão da TVI que decorreu em Julho no Algarve. A Joana estava grávida e no seu criativo atelier conversámos sobre jóias e bebés, sobre nomes de bebés, sobre as expectativas e as fantasias associadas à maternidade, sobre trabalho, sobre família, sobre a minha novela e a minha personagem, sobre a minha gravidez - na ficção. Mais do que a ligação a uma marca, importa-me a ligação às pessoas por detrás da marca. 

Agradeço à Joana por me ter acompanhado mais uma vez neste evento. Apesar de gostar de todas as peças, o colar é a minha jóia de eleição. 

Agradeço ainda à nossa querida Xenica Jardim pelo convite e ao fotógrafo Paulo Lima que disparou estas três primeiras maravilhosas fotografias em 20 segundos. 

Espero que gostem. 

Um abraço e boa semana.

Foto de Paulo Lima

Foto de Paulo Lima

Foto de Paulo Lima





com a Joana Mota Capitão







O curso de mergulho do "eu"




Pensamentos

A rejeição dói. Dói muito, mas passa. 
Aceita. Aceita porque para algumas pessoas não importa; não importa o quanto amaste, as negociações que fizeste dentro de ti para encaixar o outro, não importa o que faças, se tens um bom coração, de tens valores e princípios, se lhes deste prioridade e te preocupaste, não importa se tiveste orgulho, não importa o quanto cuidaste, não importam os sorrisos e as gargalhadas que deram juntos, as discussões e as reconciliações, não importa se aceitaste o bom, o mau e o pior, não importa se ficaste sem respostas, no silêncio, no vácuo, no abandono, à chuva, ao frio... É assim, pronto. São mecanismos defensivos, quase como uma desativação da capacidade de expressar emoções que aconteceu algures, mas que, naquele estado psíquico, te faz sentir que tu, simplesmente, não importas. Mas deixa-me contar-te um segredo: "tu importas!" 

Se calhar, em vez de escrever tanto sobre o outro, devemos olhar mais para nós próprios. Devemos questionar o apego que foi internalizado nos primórdios do nosso "eu", que tipo de ferida é essa que está cristalizada dentro de nós e que insiste em convidar esse certos padrões para a nossa vida. 

Falamos de mecanismos internos dinâmicos do "eu" e do "outro". Há estilos de vinculação, de relacionamento, vividos na infância e que ficam cristalizados no inconsciente e passam a actuar de formar automática influenciando o que achamos merecer na vida; a qualidade desse vínculo vai influenciar a forma como nos relacionamos no contexto das relações românticas - e não só. 

Se certos padrões são repetidos na nossa vida, talvez seja o momento de fazermos uma revisão da nossa literatura, da nossa própria narrativa, procurando experiências desconfirmatórias que nos mostrem que merecemos ser amados, respeitados e capazes de suscitar essa disponibilidade e responsividade no outro. O amor é fácil, o amor acontece, é seguro e é o reviver dessa ferida que nos vai ajudar a ser felizes, a livrarmo-nos da culpa e a perdoar, para atrair vínculos diferentes, mais fortes, maduros e de respeito. 

Vinculações, Édipos... Uma viagem pelas nossas profundezas, quase como um curso de mergulho, para que nos relacionemos melhor connosco e com os outros. 

Talvez o outro possa também reviver a sua própria literatura, a seu tempo e se quiser, e aprender um pouco para que, cheios de canudos e de educação, possamos finalmente sair todos da escola primária das emoções.


Um abraço, boa noite.


Afinal vamos todos andando...




Obrigada pela fotografia, vou publicá-la no blog.”

Fotografias bonitas, onde acho que estou bem iluminada, bem maquilhada, bem enquadrada. Fotografias que podiam ser uma bela ilustração para um molho de palavras soltas e tristes. As palavras aqui são sempre contentores de muita consciência e de sofrimento ao ponto de me perguntarem se está tudo bem. 

Estou. 

Apesar de ter um nome pop, o Chez Lili não é um pop blog de receitas de auto-ajuda. Pelo menos não tem sido. É um blog de viagens onde sou correspondente das inquietações emergentes em lugares que estão em pleno estado de sítio. Um jornalismo de guerra, do conflito da nosso psique. Escrever aqui, viajar até lá sem saber muito bem como é que vou voltar. Voltar às rotinas dos dias onde vamos com os nossos cansaços e humores, sonhos frustrados e noites mal dormidas magoando um bocadinho e sem querer aqueles que nos rodeiam através de um meio tom de voz que sobe de repente, uma desculpa que fica por pedir, emaranhada de orgulho e culpa, uma musicalidade sarcástica no próprio silêncio.
A maior parte das pessoas que eu conheço não está bem e nem está mal. A maior parte das pessoas que eu conheço “vai andando...” independentemente do nível sócio-económico, do género, do estado civil, da profissão, do poder da conta bancária. E a vida continua na esperança de que, de hora em hora, as coisas melhorem. 

............

Conversámos e eu voltei para o meu carro. Vou conduzindo e pensando:

Como eu adorava acordar naquela casa, naquele quarto de catálogo, jantar assim rodeada de pessoas, ficar sossegada no meu canto, nas minhas coisas, numa solidão desejada, mas sabotada e disfarçada, porque pelas outras divisões, há uma continuidade da minha existência, da existência de todos, um pequeno ruído que nos faz companhia.”

Enquanto conduzia concluí o quanto o meu “quem me dera” se transformou na inquietação de alguém. E vamos vivendo na fantasia de podermos trocar de vidas entre nós, de vez em quando ou, quem sabe, para sempre, sem sabermos que no fundo “lá vamos todos andando...”

Talvez por isso, as trocas de vida fossem dar quase todas quase ao mesmo.

Um abraço!


Vou ali e já venho - Richmond Park






O líder dos oito parques reais é o Richmond Park. Lidera pela beleza selvagem, pela extensão de aproximadamente mil hectares - a triplicar o tamanho do conhecido Central Park em Nova Iorque - lidera por ser a casa de 650 veados que são a maior atração do parque, lidera por guardar o mágico jardim botânico conhecido como Isabella Plantation.

Não devem faltar muitos anos até eu decidir regressar ao campo de uma vez por todas. O melhor de Londres é sentir aquela estranha sensação de estar numa das cidades mais movimentadas do mundo, mas a poucas paragens de metro de bairros e de zonas residenciais que primam por uma atmosfera familiar, de tranquilidade e de silêncio, como acontece em Richmond e em Putney

Deixo-vos aqui uns momentos captados no Richmond Park. Levem um livro, uma manta, umas sandes e fruta, levem uma bicicleta, levem o vosso labrador, levem os vossos patudos soltos e felizes, calcem as vossas wellies e preparem os pulmões para respirar o maior parque de Londres.

Até já!

































Recomeços



Quando o mais fácil é que tudo permaneça igual a ontem, a vida empurra-nos desse penhasco da mudança. Quando a confusão nos paralisa o melhor é mesmo aceitar a paralisia por uns tempos. Quase como um automóvel com a direção desalinhada que naturalmente se desvia para um dos lados.  É uma técnica que funciona comigo. Dar ao tempo e ao silêncio a responsabilidade de me explicarem para que lado o meu "eu" desalinhado se desvia naturalmente. Depois tento contrariar a resposta e a direção natural das coisas, num processo de auto sabotagem consciente e deliberado que vai intensificar o mal-estar, um certo desgaste fisico e emocional levando assim à confirmação e à aceitação do caminho inevitável. Às vezes não se trata de começar um novo capítulo, mas sim de começar um livro completamente diferente. 

Setembro é o mês dos recomeços e eu espero partilhá-los aqui. 

Por Londres vive-se um Agosto fingido de Outubro, já há noites em que se resgata o edredom das arrumações de Inverno, já levo à rua aquela parka verde que nem me lembrava que tinha, já caminho sobre folhas caídas enquanto seguro a bebida de sempre:

Soya cappuccino with vanilla syrup, please!" 

e lá sigo a imaginar que sou protagonista de um remake do Husbands and Wives do Woody Allen - só que não.

Um abraço e até breve.

















© Chez Lili

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